Exercicio de honestidade... mais um





Enquanto continuar a sonhar, a procurar, a querer, não me sentirei completa, vou sempre querendo crescer, subir mais alto e saber mais. Este é um facto, mas sempre rodeado das inúmeras variáveis e pouco constantes do meu universo. Sou mulher pois!


Sou mãe e não fui ensinada a sê-lo, tenho uma mãe que também tinha uma, fui menina e criança e cresci... cresci emersa em ensinamentos, mais de afectos do que de palavras, mais de actos do que de palavras. Agora mãe, exagero nas palavras, aquelas que nunca me foram ditas, talvez esteja a menosprezar os afectos, os actos.


Se ainda não cresci, se ainda não me sinto completa, poderei eu como mãe transmitir essa incerteza? Ou farei aquele papel de mãe, sempre sabedora, sempre certa? E assim aumento a distância, a incontornável distância de duas décadas que me separa de um filho.


O amor, esse, não se discute, não se analisa, não se qualifica nem dimensiona, esse, esse sentimento atordoante, está ali para que seja mulher e o sinta, assim! E a distância? Não aprendi a ser mãe mas reconheço a distância, senti-a sempre em silêncio e agora volto a senti-la e não quero calar-me. Nos olhos de um filho está a procura de respostas, no olhar de um filho está um pedido de ajuda, de protecção, aquela que eu ainda não alcancei, uma paz que se a transmito, é por uma necessidade maior de ser mãe. Essa paz não a sinto, não sei se a sentirei! Sei que o meu colo deve ser sempre um porto, calmo e azul, cheio de sol e calor, mesmo que o meu corpo anseie por um abrigo, um abrigo que não existe, eu mãe mostro o azul e o mar ... e o calor! Se, cansada, sinto as forças escaparem, de imediato a culpa racionalizada pelo papel, ensinado, de mãe, me faz reagir com duas décadas de distância.


Serei eu? Serei eu quem não se aproxima? Ou talvez simplesmente deva aceitar? Aceitar que também eu estou a crescer?

2 comentários:

Anne disse...

pois, esse é o problema. nós também crescemos, à medida que eles constroem a sua essência. e acabamos por seguir caminhos que nem sempre se cruzam. Mas estaremos smp lá para eles.

muito bonito.

ianita disse...

Não vale a pena questionar tanto... vais sendo o mais e melhor que consegues.

Se amares a vida e a respeitares, vais estar sempre certa :)